Seminário Patriarcal de São José
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O Seminário

1- O que é o Seminário de São José  de Caparide?

 Criado por decreto do  Senhor Patriarca de 15 de Agosto de 1999, é, neste momento, o Seminário Vocacional. No entanto, podemos dizer que não é novo este Seminário. É que ele é  herdeiro dum espaço e duma comunidade. Dum espaço, porque desde 1984 funcionou  aqui o Seminário Menor da nossa Diocese (agora está em Penafirme). Duma  comunidade, porque para aqui transitou a comunidade formativa que vivia no Seminário de Almada (agora ao serviço da Diocese de Setúbal).

 2 - Porquê um "Seminário Vocacional"?

As "Normas fundamentais  para a formação sacerdotal nas dioceses portuguesas", documento que está na base  da vida de qualquer Seminário dizem no nº 130 "Na organização do Seminário Maior  tenha-se em conta que os alunos de Filosofia e os de Teologia se encontram,  normalmente, em etapas diferentes de amadurecimento vocacional. Procure-se, por  isso, garantir aos alunos de Teologia uma formação mais explicitamente pastoral  e prestar especial atenção ao crescimento vocacional dos alunos de Filosofia.  Onde as circunstâncias o aconselharem, poderá organizar-se o Seminário em duas  casas separadas, uma para os alunos de Filosofia e outra para os alunos de  Teologia. Em qualquer caso, salvaguarde-se a unidade do Seminário como instituição formativa." Se é verdade que, com o  curso de Teologia de Universidade Católica, a distinção entre "filósofos" e  "teólogos" está muito esbatida, não é menos verdade que é nítida a diferença quanto ao amadurecimento vocacional e, por isso, na nossa Diocese mantém-se a opção pelas "duas casas separadas". O Seminário de São José é  "esta casa" na qual esta comunidade formativa faz a sua experiência de Igreja  viva e, por isso, de discernimento vocacional. Aqui se encontram os  seminaristas, que ao longo de três anos fazem o Tempo Propedêutico e os dois primeiros anos do Curso de Teologia na Universidade. Para alguns é a continuação  da caminhada vocacional vivida em comunidade já iniciada no Seminário Menor.  Para outros, é o começo de vida numa comunidade específica de Seminário, embora  alguns já venham com caminho de discernimento vocacional muitas vezes feito em  grupo, nomeadamente os que são acompanhados pelo Pré-Seminário. Isto ajuda-nos a  perceber como tem razão de ser a atenção a estas diferentes etapas de  amadurecimento vocacional.

3 - Como se entra no Seminário?


Os percursos  podem ser vários. No entanto, podemos dizer que sempre que quando algum rapaz é  interpelado por Deus e procura aprofundar esse possível sinal de vocação é  acompanhado nesse seu caminho de discernimento. A princípio pelos sacerdotes que  lhe estão mais próximos e que os ajudaram na sua caminhada cristã (párocos,  assistentes de movimento, capelães...), depois de uma forma um pouco mais  sistemática, de modo que os candidatos que entram nesta casa foram acompanhados  e são apresentados por uma destas três instituições: Seminário Menor,  Pré-Seminário e o próprio Seminário de Caparide. Não podemos esquecer, também, a  acção do Secretariado Diocesano da Pastoral das Vocações.

4 - Como é a vida no Seminário?


O dia a dia desta comunidade é dividido entre a oração, o estudo, o serviço dos irmãos, as actividades apostólicas pela diocese e a formação catequética e litúrgica. Nenhum destes elementos forma uma etapa separada das outras, mas concorre para a  formação integral destes rapazes. Porém, a oração adquire um papel de destaque  na integração de toda a vida pessoal e comunitária. Vive-se ao ritmo da liturgia  orante da Igreja: pela manhã, o primeiro acto a congregar a comunidade é a oração de Laudes, como que a dar sentido para o dia que amanhece. Ao fim da  tarde, a celebração da Eucaristia é o cume e o ponto de partida do que se fez e  do que se aproxima. Também os tempos fortes da liturgia da Igreja (Advento,  Natal, Quaresma, Páscoa) são preparados e vividos de forma intensa na  comunidade, de modo a que se não percam os tesouros desta pedagogia e fonte de  alimento. A par da oração comunitária cada um é também chamado a zelar pela sua  oração pessoal, o que acontece com a ajuda e testemunho de todos.

 5 - Que estudo? Qual a sua importância?

O estudo ocupa uma boa  parte do tempo. Frequentando o curso de Teologia na Universidade Católica, com  aulas de manhã ou à tarde, os seminaristas fazem a preparação científica que é  necessária a um pastor, ainda para mais nos tempos que correm, onde a fé é  chamada a dialogar com tantas facetas da existência humana. Mas, este estudo é  já serviço do Povo de Deus, ao qual se hão-de entregar no futuro. Juntamente com este estudo,  também se dedicam, em casa, a estudar música (litúrgica e não só), ao aprofundamento dos documentos do Concílio e do Magistério, a analisar as realidades mais variadas do mundo contemporâneo, à formação espiritual e catequética. Para tudo isto concorrem as aulas de música, os encontros com os Prefeitos e com o Director Espiritual, a indicação de todo um conjunto de leituras a fazer, as conferências e visitas culturais e, obviamente, o empenho e  curiosidade de cada um. Deste modo podemos entender porque a vida nesta casa começa pelo Tempo Propedêutico. Na verdade não é apenas o estudo académico que marca o ritmo da vivência neste Seminário.

6 - A formação do Seminário não se  reduz ao estudo...

Se, por alguma razão,  ficássemos a pensar que a formação está resumida ao que atrás se descreveu,  esqueceríamos que esta é uma comunidade de cristãos, que antes de mais nada,  pretendem aprender a viver como filhos de Deus e irmãos em Cristo. E isso não se  faz em abstracto, mas na vida concreta de serviço, responsabilidade,  inter-relação e ajuda mútua, com as suas alegrias e tristezas, com as vitórias e  fracassos. Tudo vida concreta, na qual cada um se empenha: todos têm os seus  serviços para a comunidade (desde o refeitoreiro ao sacristão, passando pelos  condutores, os ecologistas, os responsáveis da cultura e desporto) e o  crescimento desta está dependente da responsabilidade de cada um. É muito  importante o equilíbrio entre o tempo de oração explicita na Capela e os tempos  de encontro que o desenrolar do dia provocam e que vão desde as viagens nas  carrinhas para a Universidade até aos tempos de convívio no bar (normalmente  após as refeições). Por aqui também passam as relações entre irmãos, pois  ninguém pode estar isolado: a atenção ao irmão, a sua promoção, a partilha da  vida e dos dons de Deus e a correcção fraterna são o tear onde o tecido desta  célula de Igreja se constrói. Toda esta vida é alimentada na oração e numa vida  espiritual cuidada, mas é também confrontada com o projecto de Deus, para melhor  ser fiel à sua Igreja.

7 - Como vivem os vários tempos  (férias, feriados...)?

Como a nossa vida acontece  no desenrolar do tempo, também o estar em Seminário o é. Por isso ao longo  vivemos vários momentos importantes e marcantes. Antes demais o Retiro Anual e a  Festa de São José, Padroeiro deste Seminário. Mas são, também, importantes a  Semana Inicial, a Festa das Famílias, a Festa de Natal com os trabalhadores e  colaboradores desta casa, as épocas de exames na Universidade, tempo exigente e  de apelo à solidariedade e compreensão, os aniversários de
nascimento, baptismo,  ordenação. As férias de Natal, Páscoa e "Grandes" são normalmente vividas junto  da família e são, cada uma a seu modo, períodos muito ricos e importantes da  vida em Seminário. Os chamados "fins-de-semana" são vividos como tempo,  igualmente rico, pois eles supõem um discernimento e um equilíbrio entre a  visita às famílias, a participação em actividades feitas pelo Seminário e o  tempo para o estudo.

 8 - Que relação existe com as comunidades cristãs da Diocese?

"Deus quer salvar, a Igreja  precisa de servidores e os homens esperam a salvação". Esta afirmação sintetiza  muito bem a razão de ser do Seminário. Nela podemos ver como o discernimento da  vocação ao sacerdócio não pode estar alheado da vida dos homens. Por isso, com o  mundo diante de si, cada membro desta comunidade não pode deixar de ser sensível  aos apelos de Deus e dos homens. A amizade com o Mestre e a comunhão com os  irmãos, vai fazendo florescer um coração atento ao projecto de Deus e às  necessidades dos homens e mulheres deste tempo. Indo muitas vezes pela diocese  em trabalho apostólico, ao Domingo, são confrontados com estas realidades e  aprendem o amor ao Povo de Deus concreto. E assim se abrem ao grito dos  macedónios de hoje: "Vem ajudar-nos." (Act 16, 9)

9 - Como é a relação com as famílias dos seminaristas?

Como já vimos esta é uma  dimensão que procuramos valorizar. Quer na relação de cada rapaz com a sua  família nas idas a casa que acontecem nas várias ocasiões já referidas. Quer na  relação das famílias entre si (na Festa das Famílias e na Festa de São José - alargadas no primeiro caso, só os pais no segundo). E muitas vezes no contacto  entre os padres formadores e a família de cada um.
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